Núcleo Gerador: Complexidade e Mudança

DR4 – Globalização

Será um efeito da GLOBALIZAÇÃO?!

 

Ver imagem em tamanho realO mundo está todo aqui!

Pensando na experiência pessoal é capaz de identificar aspectos da globalização? Compreende as suas vantagens? Reconhece-lhe alguns perigos? Ao nível das instituições também se verificou/verifica a globalização? Qual a relação da globalização com o respeito ou desrespeito pelos Direitos Humanos?

A globalização é facilmente constatável no nosso quotidiano. Com certeza já todos a experienciamos, basta-nos ir a um supermercado e prestar atenção à grande variedade de produtos que estão à venda. Nas prateleiras encontramos laranja de Espanha (também do Algarve, mas poucas), manga do Brasil, banana do Equador, maçã da Argentina e da China, salsicha da Alemanha, bolachas da Dinamarca, bombons da Suíça e da França, carne bovina do Brasil e da Argentina, têxteis da Índia, etc. No meio de todos estes produtos também encontramos produtos portugueses ainda que a sua produção possa ter sido levada a cabo por mão-de-obra estrangeira. Se preferirmos fazer as refeições fora de casa podemos escolher, muitas vezes no mesmo espaço comercial, entre um restaurante chinês, japonês, mexicano, italiano, brasileiro ou português. Podemos, desta forma, comprovar que a globalização é o estreitamento e interdependência dos países (resultante da rede de transportes e das comunicações).

A globalização impulsionada pelo grande desenvolvimento que se verificou nos transportes e nas comunicações teve o seu início com a mundialização da economia. Indo um pouco mais longe, podemos encontrar a sua génese nas primeiras trocas comerciais entre países e continentes. As trocas comerciais e a colonização deram origem a alterações pontuais nas culturas, na organização política e económica dos países.

Contudo, a globalização intensificou-se, depois da segunda guerra mundial, com o desenvolvimento tecnológico, a liberalização das trocas a nível mundial e a integração regional e mundial (tentativas de acordo entre vários países do mundo – constituição de várias organizações, a nível regional, cujo objectivo é a integração). A globalização dos mercados é consolidada pelo aparecimento de empresas transnacionais e com elas os processos de deslocalização. A mobilidade de capital é também um factor decisivo nesta globalização crescente. Não podemos esquecer os factores que a facilitaram:

            – As novas tecnologias de informação – que possibilitaram a ligação em tempo real dos diferentes países e mercados (essencial para o mercado bolsista);

            – A abertura das fronteiras e a eliminação de obstáculos concorrência (alteração de legislações que regulavam o movimento de pessoas e mercadorias entre países);

            – A liberalização do movimento de capitais.

 

Os fluxos migratórios, os fluxos turísticos, assim como as novas tecnologias de informação e comunicação democratizaram a globalização. Agora podemos dizer com rigor que o mundo é uma aldeia global com tudo aquilo que ela tem de bom e de mau.

 

 A redução dos preços de alguns produtos, sobretudo tecnológicos, provoca o aumento exponencial dos contactos, facilita o acesso à informação e à cultura, tornando os países cada vez mais interdependentes. O consumidor beneficia pela grande diversidade de produtos que tem ao seu dispor no seu próprio país. Torna-se real a possibilidade de contactar com pessoas e culturas diferentes sem ter de viajar; de assistir a espectáculos vindos de todas as partes do mundo, de estar em tempo real com os familiares que vivem nos antípodas.

Aparentemente a globalização provoca o esbatimento das desigualdades. A diferença entre países menos desenvolvidos e países desenvolvidos deveria ser menor e dentro do mesmo país a desigualdade entre grupos sociais também deveria diminuir. Mas será que é assim? A coexistência de estilos de vida diferentes deveria tornar-nos mais tolerantes. É isso que se verifica? A globalização, tornou-nos mais iguais, a democratização da moda uniformizou a estética da sociedade actual? E quais foram/são os custos?

Podemos questionar os riscos para a saúde; para os valores ético-morais, para os valores estéticos, para os valores religiosos, para o ambiente…

 

 No mundo globalizado justifica-se a fome? Ou o desrespeito pelos Direitos Humanos?

 

 

  

 

 

Como entender a clivagem que existe entre ricos e pobres? Como entender, ainda (ou cada vez mais), a xenofobia? É difícil entender como e porquê não actuam as Instituições Internacionais quando em nome de tradições, religiões ou superstições se põe em risco a vida de crianças e de populações inteiras.

 miseria-e-determinacaoO mundo está a mudar hoje somos, diz-se frequentemente, cidadãos do mundo. Compete-nos estar atentos a esse mundo global e perceber como actuar. Perceber como nos devemos relacionar com a diferença (com o outro que é diferente de mim). Perceber como actuar perante tradições, que são um atentado à dignidade humana, sem violar o direito à especificidade cultural de cada país. Temos de estar atentos às Instituições Nacionais e Internacionais, ser críticos e exigir que actuem sem arrogância e prepotência, mas com a determinação necessária.

AFL