FADO LIVRE

Fado de Camané que nos fala da liberdade como valor máximo e irredutível a qualquer outro. A ouvir!

http://youtu.be/Z1_F37v2xUw

Uma forma leve de falar de liberdade, mas que nos pode levar a reflexões bem profundas:   Posso  ser livre com os outros?

Não ser livre não consigo, por isso se não for livre contigo, vejo-me livre de ti.

AFL

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A liberdade pode ter dois sentidos:

  • Em sentido absoluto ou metafísico, expressa a possibilidade ideal de agir na ausência de qualquer coacção e constrangimentos, isto é, a possibilidade de fazer o que se quer independentemente das circunstâncias e das condições concretas em que decorre a sua integração no mundo. Trata-se daquilo a que, numa linguagem mais filosófica, se designa o poder de agir independentemente de quaisquer obstáculos ou determinismos.

 

  • Em sentido relativo (humano), a liberdade é a capacidade humana de auto-determinação, pois a vontade humana, embora condicionada, pode e tem de fazer opções. Refere-se à capacidade/possibilidade de agir num quadro de constrangimentos externos ou internos.

 

Vida e Liberdade

A negação da liberdade é uma velha teoria que não tem em conta a vida prática tal como realmente é e tal como de facto é experimentada; é uma teoria que a própria vida continuamente contradiz. A liberdade é um dado fundamental da nossa existência humana que não pode remeter-se a nenhum outro e que por isso mesmo não se pode eliminar nem contradizer.

Nós sabemo-nos livres, nós experimentamo-nos constantemente perante novas decisões que reclamam o nosso parecer e frente às quais nós mesmos, como que a partir do mais íntimo do nosso ser pessoal, somos obrigados a tomar uma posição por esta ou aquela possibilidade de agir, por este ou aquele valor que nos interpela e exige uma resposta adequada. Encontramo-nos com frequência imersos no dilema da escolha, na necessidade a que não podemos fugir de ter de optar, elegendo entre várias possibilidades, talvez de grande importância e de graves consequências. Reflectimos, pesamos os prós e os contras, procuramos descobrir a conduta mais sensata e no meio de tudo isto temos a consciência irrefutável de que só a mim mesmo compete a decisão. Esta decisão impõe-se-me de um modo totalmente pessoal e intransferível; ninguém pode assumir a responsabilidade da minha decisão livre, de que só eu tenho de prestar contas. Sou eu quem tem de decidir-se mas eu sou livre de me decidir. Encontro-me colocado perante a necessidade da liberdade, mas ao mesmo tempo e por isso mesmo – necessariamente – estou entregue à minha própria liberdade e responsabilidade. (…)

E. Coreth, O que é o Homem? Elementos para uma Antropologia Filosófica, Lisboa, Ed. Verbo, 1988, p. 120

Para ver ou rever e reflectir sobre a problemática relação entre tradição e violação dos Direitos Humanos. Será um atentado contra a liberdade dos povos proibir práticas culturais que atentam contra a dignidade das pessoas?

http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13406717/1

TODA AVIDA E MAIS SEIS MESES…

  Esta poderia muito bem ser a resposta aos cépticos do Programa Novas Oportunidades, que me parece estar a ganhar adeptos, porque alguém com responsabilidades no nosso país e até na docência, se lembrou de dizer “umas coisas”, mas não, foi o tempo que me levou a concluir o 12º ano.

           Exactamente toda a minha vida e mais seis meses, como diz a sabedoria popular.

           Dito desta maneira, alguns poderão duvidar da minha capacidade intelectual, mas a realidade é que, só agora, já com 54 anos, consegui, mesmo não se vislumbrando qualquer espécie de necessidade de provar nada a ninguém ou de um hipotético desemprego, porque estou a trabalhar num grupo de quatro empresas, com futuro, onde presto serviço de contabilidade. 

          Com toda a certeza que poderia ter concluído de uma outra forma a minha formação, mas, ao contrário daquilo que se diz, eu entendi ser esta, uma boa oportunidade para aqueles a quem o país negou instrução, mesmo que o seu QI fosse igual ao de muitos outros, que não tiveram necessidade de trabalhar para viver e a quem nunca foi negada a dita oportunidade que nos foi reposta, embora tardia.

        Fiz, a seu tempo, o Curso de Formação Geral de Comércio, nesta Escola, então denominada de Escola Industrial e Comercial de Guimarães, quanto a mim, uma excelente ferramenta, que me permitiu e a muitos outros alunos, ingressar no mundo do trabalho e ser independente desde os meus dezasseis anos.

       Desde então não parei a minha formação, na minha área profissional e em outras que me poderiam ajudar a enriquecer os meus conhecimentos.

       Acabei recentemente um processo de RVCC e felizmente que o fiz, para poder estar aqui, a contrariar todos aqueles que teimam em dizer que as Novas Oportunidades são um processo menos válido.

       Para poder concluir com êxito este meu trabalho, tudo começou no inicio da minha já longa existência e não há seis meses atrás.

      O currículo de uma pessoa é formado pela sua história de vida e não só pela formação académica, e é tanto mais rico quanto maior for a sua formação, a começar pelos valores que conseguiu adquirir com sabedoria, obviamente acompanhados de todas as outras valências, que lhe permitem uma cultura geral diversificada.

      Consegui ser um dos muitos que “ agarraram” este programa para poder provar que aprendi com a vida e pela vida.

      E porque aprendi algumas coisas, entendo que essas vozes contraditórias, deveriam pensar melhor a sua retórica, porque nem se dão ao trabalho de pensar na dedicação que os professores imprimem neste processo ou então de verificar, no terreno, o trabalho efectuado.

      Por motivos óbvios, não é exactamente a mesma coisa leccionar ou orientar num processo desta natureza, pessoas adultas e muitas vezes até “bem adultas”.

      Uns, porque, ao contrário dos jovens ainda sem grandes responsabilidades, trazem um longo dia de esforço para as aulas, outros porque se vêem a braços com problemas de um desemprego inesperado, quantas vezes pela falta da dita formação que lhes foi negada, acrescida dos muitos problemas que uma vida de família lhes reserva, mas o professor está lá, com toda a sua pedagogia e ainda com a paciência acrescida que lhe merecem os cabelos brancos que a nossa idade teima em nos oferecer, sem contudo deixarem de ser exigentes e profissionais.

      Quantas vezes se devem deparar com pessoas da idade dos seus pais ou até mais velhas e a sua comparação é inevitável e a sua pergunta compreensiva: Como vou eu tratar esta pessoa? O que me estará reservado?

     E a resposta é sempre a melhor possível. Acredite quem quiser. Respondem com TRABALHO e DEDICAÇÂO.

     Como tenho “o vício” de acudir a tudo e todos, muitas vezes me perguntei: – “Será que a minha vida tão preenchida com tantas coisas e tantas pessoas a precisarem de mim, me vai permitir terminar?”

      Cheguei a pensar que não, mas ainda que fosse só para poder testemunhar o trabalho elevado dos professores, valia o sacrifício, pois é preciso que alguém diga alto e bom som que o CNO – Francisco de Holanda é um caso sério e não uma mera estatística.

      Exemplo concreto daquilo que falo, foi a 2ª Semana das Novas Oportunidades, onde esteve bem patente a dedicação extra daqueles que nos orientam no CNO e sobretudo a pedagogia e a oportunidade de ensinarem cada vez mais e proporcionarem a todos uma formação diversificada e atenta às novas exigências. 

      Estive presente na Visita guiada ao Centro Histórico de Guimarães dinamizada pela Sra. Dra. Túlia Machado, que foi uma autêntica maravilha e que me proporcionou aprender mais sobre Guimarães, com alguém que não sendo de cá originária, é sem dúvida alguma, para além de uma historiadora de excelência, uma amante da nossa cidade.

 Helena Lobo

 

 

«A finalidade da educação é a de formar cidadãos»   Michael Walzer

 A educação para a cidadania adquire, hoje, uma importância crucial, nós já não somos apenas cidadãos de uma cidade ou de um país, somos também cidadãos europeus e temos de evidenciar competências para saber gerir esta realidade.

A cidadania é, portanto, uma noção dinâmica, que deverá evoluir acompanhando o progresso da União Europeia. O aumento das expectativas dos cidadãos relativamente aos seus direitos, liberdades e garantias, implica um maior conhecimento e uma consequente maior participação cívica.

Indo ao encontro desta ideia, o CNO Francisco de Holanda gostaria de contar com a sua presença numa Sessão de Informação e Debate sobre Cidadania Europeia organizada em parceria com o Centro de Informação Europeia Jacques Delors. A sessão será dinamizada pelo Dr. Marco Jesus e decorrerá no dia 5 de Julho de 2010, pelas 19 horas, na Associação Martins Sarmento.

 

A entrada é gratuita mas é a inscrição é obrigatória

 

 

O desafio de cada ano lectivo é conseguir dar resposta às necessidades dos alunos cumprindo a nossa função profissional – ser professor. Este ano lectivo foi um ano atípico: não tive alunos – tive adultos/aprendentes, não tive de ensinar – tive de orientar, não tive programa para cumprir – tive referencial para desocultar; não tive Filosofia para leccionar – tive Cidadania e Profissionalidade para certificar. Todo um vocabulário novo e, consequentemente, uma realidade nova para testar a minha capacidade de adaptação e flexibilidade.

 Ensinar foi o que aprendi a fazer ao longo da minha vida académica e posteriormente no exercício da docência. Este ano porém, na sequência do ano anterior, tive de reinventar uma nova forma de ser professora: ensinar sem ensinar. Parece contraditório mas não é, parece muito novo, mas também não o é. Sócrates, filosofo do século V a.C. (470/69-399), defendia a ideia de que ninguém ensina nada a ninguém. Evidentemente a sua filosofia era sustentada na crença da imortalidade da alma, mas adaptando esta ideia ao processo RVCC podemos de facto afirmar que aqui o papel do “mestre” não é ensinar mas levar a que os seus “discípulos” através da reflexão, descubram o conhecimento, leia-se competências, que adquiriram ao longo da vida, que descubram o valor do mesmo e se promovam enquanto seres humanos e profissionais, querendo aprender mais, evoluir mais, isto é, queiram ser melhor pessoas e cidadãos. Assim, todo o meu desempenho profissional teve como base esta ideia: ser mais “parteira” do saber do que transmissora de conhecimentos. Neste sentido, as actividades que realizo, são planificadas e aplicadas com esse objectivo, o de despoletar o conhecimento. A complexidade desta tarefa reside na adaptação a diferentes individualidades, o que nem sempre é conseguido (pensá-lo possível é uma utopia) mas foi sempre uma preocupação. Os instrumentos que utilizo são pensados para, primeiro, diagnosticar as competências e/ou as lacunas de cada adulto e, segundo, despertar a reflexão e o debate de ideias sobre alguns temas problemas prementes para o cidadão actual.

Não posso deixar de sublinhar a necessidade que tenho de me informar, de me manter mais atenta ao mundo real, de investigar, de aprofundar assuntos que até aqui não me eram familiares. A realidade dos meus alunos/adultos é uma realidade diferente e com eles aprendo coisas da vida que os livros não ensinam. Quero com isto dizer que enquanto procuro meios e construo instrumentos para avaliar, diagnosticar, orientar, formar e certificar competências eu também cresço como cidadã e profissional. 

Fui buscar este texto ao meu arquivo (apenas ajustei os tempos verbais) porque queria partilhar convosco como sentia e ainda sinto este processo RVCC. Gostaria de poder continuar a dizer que é um processo válido para um público específico que ao longo da sua vida adquiriu competências: criou empregos, dinamizou projectos, trabalhou com empenho, investiu na formação profissional, emigrou e leu autores portugueses e estrangeiros, partilhou saberes decorrentes das viagens que realizou, constituiu família e que não teve tempo, oportunidade ou vontade suficiente para ir à Escola frequentar um curso do ensino regular.  

                                                                                                                                                   AFL

 

 

 
   

 

A imagem é apenas exemplo, o som seria, neste caso, mais ilustrativo!

Cultura é cidadania (e vice versa)… de facto.               Cidadania também é poesia… de facto.