Por ano gastam-se 11 biliões de dólares em gelados na Europa. A expansão da educação básica a todos custaria 6 biliões de dólares.                                                  

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v Quais os factores que poderão estar na origem da assimetria entre ricos e pobres? Podemos equacionar a possibilidade de os fenómenos de pobreza se deverem ao facto dos pobres não quererem trabalhar?

v  Cabe aos cidadãos fazer alguma coisa no sentido de resolver estes problemas ou esta tarefa é da exclusiva responsabilidade dos governadores?

Que soluções existirão para erradicar problemas da pobreza?

     

 

  A desigualdade de rendimentos no mundo

«Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde as diferenças de rendimentos são mais acentuadas e onde a situação não se alterou entre meados dos anos 90 e 2004. O fosso entre os mais ricos e os mais pobres nas 30 nações da OCDE Crescimento Desigual?, (…) aqueles foram os únicos países a registar uma “diminuição significativa” das desigualdades de rendimento (…).

Esta é, aliás, uma das grandes conclusões do estudo da OCDE: nas últimas duas décadas, houve um aumento “moderado mas significativo” das desigualdades, que atingiu dois terços dos Estados da OCDE. Finlândia, Nova Zelândia, Canadá, Alemanha, Itália, Noruega, Suécia e EUA foram os países onde mais se agravaram.

A evolução deve-se sobretudo ao facto de os agregados familiares mais ricos terem melhorado a sua situação em comparação com as famílias de classe média e baixa. No caso de Portugal, o relatório conclui que houve uma melhoria da distribuição entre a década de 70 e 80 seguida de um aumento “significativo” das desigualdades na primeira metade de 90 e uma estagnação nos dez subsequentes (o último ano de referência é 2004).

Para além da distribuição dos rendimentos, a OCDE olha para a evolução das taxas de pobreza e conclui que também houve uma degradação deste indicador, com o aumento do número de pessoas pobres (com rendimentos inferiores a 50 por cento da mediana de cada país) a atingir igualmente dois terços dos países. Portugal é aqui uma das excepções à regra, já que, a par da Grécia, viu a taxa de pobreza “diminuir ligeiramente” entre meados dos anos 90 e 2004. (…)

A situação é particularmente preocupante ao nível da pobreza infantil – que aumentou e está agora acima da média para toda a população da OCDE -, levando a organização a advertir para a necessidade de políticas que dêem “mais atenção” a este grupo. Jovens adultos e famílias com crianças viram também aumentar o seu grau de vulnerabilidade.

Em contrapartida, a taxa de pobreza entre os mais idosos caiu, incluindo em Portugal (menos 1,1 pontos percentuais do que em meados dos anos 90). Já em relação às crianças, as contas da OCDE apontam para a manutenção, em 2004, nos 17 por cento, contra 12 por cento de média na organização.»

Público, 2008-10-22