LIBERDADE/RESPONSABILIDADE

 A nope-escravossa vida é uma sucessão de decisões! Reflectir sobre a nossa vida é reflectir sobre elas. As escolhas que fizemos/fazemos tornaram-nos naquilo que hoje somos. É essa a nossa condição: Escolher – Ser Livre!

Foi por acaso que decidimos deixar de estudar? Foi sem ponderação que mudámos de emprego? Houve momentos em que ponderámos fazer a viagem dos nossos sonhos e isso não foi possível? Quisemos viver na cidade mas optámos por viver no campo. Porquê? A resposta a estas questões exige a reflexão sobre a tarefa difícil que é a deliberação e a decisão.

Ninguém decide sem motivos e sem ter a intenção de o fazer. A decisão implica uma relação à intenção (eu quero), ao agente e ao motivo (eu decido porque…).

Por exemplo:

  •  Quero trabalhar numa ONG (organização não governamental) – Intenção
  • Porque sempre quis ajudar os outros – Projecto de vida
  • Porque sofri na pele a discriminação – Motivo
  • Penso nos aspectos positivos e nos negativosDeliberação
  • Inscrevo-me num projecto da Amnistia Internacional – Decisão (acção)

 

 

«Nós sabemo-nos livres, nós experimentamo-nos constantemente perante novas decisões que reclamam o nosso parecer e frente às quais nós mesmos, como que a partir do mais íntimo do nosso ser pessoal, somos obrigados a tomar uma posição por esta ou aquela possibilidade de agir, ou por este ou aquele valor que nos interpela e exige uma resposta adequada. Encontramo-nos com frequência imersos no dilema da escolha, na necessidade a que não podemos fugir de ter de optar, elegendo entre várias possibilidades, talvez de grande importância e de graves consequências. Reflectimos, pesamos os prós e os contras, procuramos descobrir a conduta mais sensata e no meio de tudo isto temos a consciência irrefutável de que só a mim mesmo compete a decisão. Esta decisão impõe-se-me de um modo totalmente pessoal e intransmissível, ninguém pode assumir a responsabilidade da minha decisão livre».

E. Coreth, O que é o Homem?

 

Poder escolher, poder decidir implica reconhecer-se livre. A liberdade é uma característica especificamente humana. Não podemos escolher o que nos acontece, mas somos livres de reagir e responder de forma diferente àquilo que nos acontece. A liberdade não é absoluta. O ser humano é condicionado por factores biológicos (nascemos com determinadas características físicas) e pela situação histórico-cultural, mas isso não significa que a liberdade não exista, pelo contrário a nossa liberdade materializa-se exactamente na possibilidade de escolher e decidir como agir.

 

«O homem, estando condenado a ser livre, carrega nos ombros o peso do mundo inteiro: é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto modo de ser. (…) A responsabilidade absoluta não é resignação: é simples reivindicação lógica das consequências da nossa liberdade. O que acontece comigo acontece por mim. (…) Além disso, tudo aquilo que me acontece é meu; deve entender-se, por isso, em primeiro lugar, que estou sempre à altura do que me acontece, enquanto homem, pois aquilo que acontece a um homem por causa de outros homens e por ele mesmo não pode ser senão humano. As mais atrozes situações de guerra, as piores torturas, não criam um estado de coisas inumano; não há situação inumana. (…) A situação é minha por ser a imagem da minha livre escolha de mim mesmo.»

J. Sartre, O Ser e o Nada

AFL