Na diversidade sedimentei a minha identidade…

Se houve algo que eu imaginava mas ainda assim me impressionou, foi a animação de Paris e dos parisienses, algo que choca com a maioria das cidades portuguesas, mais frias e cinzentas, com uma população geralmente menos participante na vida da cidade. Paris é uma festa de luzes, de cores, de elegância. É sinónimo de bom gosto na culinária, nos perfumes, na moda, no estilo de vida. A Belle Époque dos anos 1900, verdadeira origem da alegria dos parisienses, perdurou até aos nossos dias. Para uma portuguesa, nascida e criada num país que, afinal de contas, constitui a periferia da Europa, colocou-se (coloquei-me) a dúvida se iria sofrer, em Paris, um choque cultural desagradável que, de alguma forma, fosse provocado pelo contraste entre calmos e rotineiros hábitos socioculturais de uma habitante do Minho e a vivacidade que esperava encontrar, e encontrei efectivamente, na Cidade-luz. A pesquisa que efectuei na Internet tinha-me preparado para uma vivência muito mais acelerada e variada do que a habitual em Guimarães. Mas o que realmente aconteceu foi uma experiência enriquecedora, divertida e gratificante de interagir e viver na primeira pessoa tudo o que apenas tinha lido ou ouvido: Lanchar o croissant numa esplanada nos Champs Elisées enquanto uma infindável variedade de pessoas, estilos e viaturas desfilavam perante os nossos olhos, visitar a Notre Dame e dar de caras com os artistas de rua a actuar permanentemente, ver as montras das lojas elegantes da moda na Rive Droite e meia hora depois descobrir um alfarrabista numa velha casa de uma rua estreita, concorrida e animada na Rive Droite, almoçar num restaurante italiano e jantar no Lido em pleno espectáculo de variedades. Perceber que os monumentos da cidade são mais que Arquitectura, são Arte de construção, que normalmente contém mais colecções de arte no interior. Tantas experiências que me mostraram, não uma cultura diferente, mas sim muitas culturas diferentes! E no entanto, nada disso constituiu um choque, antes um prazer inesquecível. Constatar que os jovens, nomeadamente aos balcões de restaurantes ou bistrots, comem como os americanos e falam tão rapidamente e num calão tão incompreensível que já só se reconhece como Francês pelo tom dos vocábulos, não foi uma desagradável surpresa, mas serviu para, em reflexão que se impôs na hora, sedimentar as minhas origens culturais e compreender o valor que uma vida como a que temos na nossa cidade acaba por ser igualmente vital como reserva de identidade cultural capaz de enriquecer a variedade global das culturas europeias, talvez a nossa maior riqueza face à homogeneidade, por exemplo, das culturas Americana ou Russa ou Chinesa. Só com má vontade, percebi em Paris, se pode achar desagradável a diversidade cultural, pois na Cidade-luz senti aquilo que normalmente só lemos: No confronto com uma cultura diferente sentimo-nos obrigados a dar o nosso melhor, a adaptarmo-nos a ela para melhor a gozarmos, sem no entanto perdermos a referência de quem somos e donde vimos.

 

Elisabete Soares (em Processo RVCC – nível secundário)