TODA AVIDA E MAIS SEIS MESES…

  Esta poderia muito bem ser a resposta aos cépticos do Programa Novas Oportunidades, que me parece estar a ganhar adeptos, porque alguém com responsabilidades no nosso país e até na docência, se lembrou de dizer “umas coisas”, mas não, foi o tempo que me levou a concluir o 12º ano.

           Exactamente toda a minha vida e mais seis meses, como diz a sabedoria popular.

           Dito desta maneira, alguns poderão duvidar da minha capacidade intelectual, mas a realidade é que, só agora, já com 54 anos, consegui, mesmo não se vislumbrando qualquer espécie de necessidade de provar nada a ninguém ou de um hipotético desemprego, porque estou a trabalhar num grupo de quatro empresas, com futuro, onde presto serviço de contabilidade. 

          Com toda a certeza que poderia ter concluído de uma outra forma a minha formação, mas, ao contrário daquilo que se diz, eu entendi ser esta, uma boa oportunidade para aqueles a quem o país negou instrução, mesmo que o seu QI fosse igual ao de muitos outros, que não tiveram necessidade de trabalhar para viver e a quem nunca foi negada a dita oportunidade que nos foi reposta, embora tardia.

        Fiz, a seu tempo, o Curso de Formação Geral de Comércio, nesta Escola, então denominada de Escola Industrial e Comercial de Guimarães, quanto a mim, uma excelente ferramenta, que me permitiu e a muitos outros alunos, ingressar no mundo do trabalho e ser independente desde os meus dezasseis anos.

       Desde então não parei a minha formação, na minha área profissional e em outras que me poderiam ajudar a enriquecer os meus conhecimentos.

       Acabei recentemente um processo de RVCC e felizmente que o fiz, para poder estar aqui, a contrariar todos aqueles que teimam em dizer que as Novas Oportunidades são um processo menos válido.

       Para poder concluir com êxito este meu trabalho, tudo começou no inicio da minha já longa existência e não há seis meses atrás.

      O currículo de uma pessoa é formado pela sua história de vida e não só pela formação académica, e é tanto mais rico quanto maior for a sua formação, a começar pelos valores que conseguiu adquirir com sabedoria, obviamente acompanhados de todas as outras valências, que lhe permitem uma cultura geral diversificada.

      Consegui ser um dos muitos que “ agarraram” este programa para poder provar que aprendi com a vida e pela vida.

      E porque aprendi algumas coisas, entendo que essas vozes contraditórias, deveriam pensar melhor a sua retórica, porque nem se dão ao trabalho de pensar na dedicação que os professores imprimem neste processo ou então de verificar, no terreno, o trabalho efectuado.

      Por motivos óbvios, não é exactamente a mesma coisa leccionar ou orientar num processo desta natureza, pessoas adultas e muitas vezes até “bem adultas”.

      Uns, porque, ao contrário dos jovens ainda sem grandes responsabilidades, trazem um longo dia de esforço para as aulas, outros porque se vêem a braços com problemas de um desemprego inesperado, quantas vezes pela falta da dita formação que lhes foi negada, acrescida dos muitos problemas que uma vida de família lhes reserva, mas o professor está lá, com toda a sua pedagogia e ainda com a paciência acrescida que lhe merecem os cabelos brancos que a nossa idade teima em nos oferecer, sem contudo deixarem de ser exigentes e profissionais.

      Quantas vezes se devem deparar com pessoas da idade dos seus pais ou até mais velhas e a sua comparação é inevitável e a sua pergunta compreensiva: Como vou eu tratar esta pessoa? O que me estará reservado?

     E a resposta é sempre a melhor possível. Acredite quem quiser. Respondem com TRABALHO e DEDICAÇÂO.

     Como tenho “o vício” de acudir a tudo e todos, muitas vezes me perguntei: – “Será que a minha vida tão preenchida com tantas coisas e tantas pessoas a precisarem de mim, me vai permitir terminar?”

      Cheguei a pensar que não, mas ainda que fosse só para poder testemunhar o trabalho elevado dos professores, valia o sacrifício, pois é preciso que alguém diga alto e bom som que o CNO – Francisco de Holanda é um caso sério e não uma mera estatística.

      Exemplo concreto daquilo que falo, foi a 2ª Semana das Novas Oportunidades, onde esteve bem patente a dedicação extra daqueles que nos orientam no CNO e sobretudo a pedagogia e a oportunidade de ensinarem cada vez mais e proporcionarem a todos uma formação diversificada e atenta às novas exigências. 

      Estive presente na Visita guiada ao Centro Histórico de Guimarães dinamizada pela Sra. Dra. Túlia Machado, que foi uma autêntica maravilha e que me proporcionou aprender mais sobre Guimarães, com alguém que não sendo de cá originária, é sem dúvida alguma, para além de uma historiadora de excelência, uma amante da nossa cidade.

 Helena Lobo