A liberdade pode ter dois sentidos:

  • Em sentido absoluto ou metafísico, expressa a possibilidade ideal de agir na ausência de qualquer coacção e constrangimentos, isto é, a possibilidade de fazer o que se quer independentemente das circunstâncias e das condições concretas em que decorre a sua integração no mundo. Trata-se daquilo a que, numa linguagem mais filosófica, se designa o poder de agir independentemente de quaisquer obstáculos ou determinismos.

 

  • Em sentido relativo (humano), a liberdade é a capacidade humana de auto-determinação, pois a vontade humana, embora condicionada, pode e tem de fazer opções. Refere-se à capacidade/possibilidade de agir num quadro de constrangimentos externos ou internos.

 

Vida e Liberdade

A negação da liberdade é uma velha teoria que não tem em conta a vida prática tal como realmente é e tal como de facto é experimentada; é uma teoria que a própria vida continuamente contradiz. A liberdade é um dado fundamental da nossa existência humana que não pode remeter-se a nenhum outro e que por isso mesmo não se pode eliminar nem contradizer.

Nós sabemo-nos livres, nós experimentamo-nos constantemente perante novas decisões que reclamam o nosso parecer e frente às quais nós mesmos, como que a partir do mais íntimo do nosso ser pessoal, somos obrigados a tomar uma posição por esta ou aquela possibilidade de agir, por este ou aquele valor que nos interpela e exige uma resposta adequada. Encontramo-nos com frequência imersos no dilema da escolha, na necessidade a que não podemos fugir de ter de optar, elegendo entre várias possibilidades, talvez de grande importância e de graves consequências. Reflectimos, pesamos os prós e os contras, procuramos descobrir a conduta mais sensata e no meio de tudo isto temos a consciência irrefutável de que só a mim mesmo compete a decisão. Esta decisão impõe-se-me de um modo totalmente pessoal e intransferível; ninguém pode assumir a responsabilidade da minha decisão livre, de que só eu tenho de prestar contas. Sou eu quem tem de decidir-se mas eu sou livre de me decidir. Encontro-me colocado perante a necessidade da liberdade, mas ao mesmo tempo e por isso mesmo – necessariamente – estou entregue à minha própria liberdade e responsabilidade. (…)

E. Coreth, O que é o Homem? Elementos para uma Antropologia Filosófica, Lisboa, Ed. Verbo, 1988, p. 120